Entre a noticia e a emoção uma análise midiática

Uma menina de 5 anos de classe média alta morre ao cair do 6° andar do prédio onde passava o fim de semana com o pai. A constatação de assassinato é imediata. Os principais suspeitos da morte são o pai e a madastra. Esta narrativa podia ser uma história de ficção, mas não é. Trata-se de um caso real, a morte de Isabella Nardoni.

 Após noticiar o fato, a mídia tornou-se um agente ativo em tudo que envolve o caso. Sem perceber, as pessoas elegeram a imprensa seu porta-voz, um mediador entre os investigadores, os familiares, e a população. Apesar da cautela inicial, aos poucos os personagens da trama foram tendo definidos seus papeis.

 O que mais chama a atenção sobre a cobertura da mídia é o tamanho do espaço dedicado ao assunto. Analisando os principais telejornais do país pode-se notar as proporções que a história tomou. Para se ter uma idéia do espaço destinado ao caso basta analisar o Fantástico do dia 06/03. Ao todo a morte de Isabella ocupou aproximadamente 18 minutos do programa. A epidemia de dengue por exemplo não ocupou nem 1/3 desse espaço.

 Os critérios adotados para escolha do que será noticiado também mudaram ao longo do caso. Se no inicio apenas os fatos mais relevantes era noticiados, aos poucos essa situação foi mudando. Consciente da repercussão do caso e da comoção nacional que a história gerou, os principais veículos de informação optaram pela emoção em detrimento da razão. Há muito que os fatos noticiados não são escolhidos pela sua relevância social, ou pelo que contribuem como informação, o que é noticia é escolhido pelo conteúdo emocional envolvido.

 Apesar da cautela por parte da mídia em não apontar diretamente culpados, a exposição e todos os elementos quase teatrais que envolvem o caso fizeram com que os culpados tenham sido escolhidos. O cidadão de um modo geral criou uma necessidade afoita de escolher os seus culpados e fazer justiça. Com paus e pedras Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá eram aguardados na saída das delegacias onde estiveram presos. Esse é o veredicto final, culpados ou não, para a opinião pública não há mais julgamentos a serem feitos, a sentença está dada.

 

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