Acompanhando de perto o desenrolar da CPI do Detran na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul nota-se o evidente despreparo dos deputados para interrogar os indiciados. Pior, todos os chamados já prestaram depoimentos para a polícia e as perguntas formuladas são as mesmas. De que adianta perguntar o que já se sabe a resposta, apenas para preencer tempo?
A justiça, por sua vez, não contribui em nada com os membros da CPI. Todos os indiciados chegam ao 3° andar do palácio farroupilha para depor amparados por uma liminar que os reserva o direito de não responder questões que os possa incriminar. É dificil entender porque interrogar alguém que pode simplesmente ficar calado. Essa situação tem produzido um espetáculo de comédia pastelão. Os indiciados falam o que quer, debocham e menosprezam os deputados.
Exemplo da imperiosa demência que a assola a CPI, foi o “depoimento” de Ferdinando Fernandes, sócio da Pensant. A todas as perguntas o depoente em tom de voz sarcástico respondia: Excelêntissimo senhor deputado Fulano de Tal a resposta a todos os questionamentos serão dados ao Poder Judiciário. Mesmo assim, o deputado Adilson Troca (PSDB) fez 55 perguntas ao advogado.
A questão é que deputados não são investigadores. A maioria não tem o mínimo preparo para interrogar ou investigar o que quer que seja. Assim as CPIs se tornam apenas um joguete político. A oposição joga para chegar no governo e desestabiliza-lo. Os governistas, fazem de tudo para livrar pessoas ligadas ao governo. Nesse joguinho político, o que realmente interessa não vem a luz. Quem são os culpados? Onde foi parar o dinheiro público (nesse caso R$ 44 milhões)? O final da CPI todos já conhecem. Diversas implicações políticas, mas nenhuma conclusão concreta de onde foi para o nosso dinheiro.