Semana de GreNal. Não um clássico comum (heresia suprema chamar qualquer GreNal de comum) é o centenário da maior rivalidade do futebol brasileiro. É tempo dos programas esportivos na tv fazerem aquelas retrospectivas em preto e branco, ouvir os craques enrugados pela pinga, apelar para a numerologia que pouco ou nada diz. Nesse momento cada pessoa tem uma lembrança de um clássico em especial, comigo não é diferente.
Então essa manhã, enquanto refletia olhando para os azulejos brancos com algumas florzinhas, comecei a lembrar dos clássicos que vivenciei. São 22 anos, quase 23, de coloradismo. Que eu me lembre de entender bem o que estava em jogo, deve ser a partir de 93/94. Ou seja, eu vivi a fase nebulosa do Internacional dos anos 90 com a intensidade de uma criança que descobre o futebol.
Foram tempos difíceis. Para simplificar: Morando em uma cidade majoritariamente gremista, onde os colegas de escola eram 80% azuis, eu vi o rival ganhar tudo, e o Inter não ganhar nada. Dá para imaginar as flautas e opressão em uma criança de 10 anos que vê o rival do seu time ser campeão da América. Nunca me esquecerei do dia seguinte ao título de Jardel e Paulo Nunes. Meus colegas chegaram com os rostos pintados de azul preto e branco na escola. Comemoravam, riam e….tiravam sarro dos 4 ou 5 colorados em sala de aula. Mas o que mais me traumatizou foi a professora. A mulher decidiu escrever, a aula toda, com giz azul no quadro. Talvez eu devesse processa-la pelo trauma sem cura.

Cachaça nunca foi empecilho para Fabiano ser o homem GreNal
Foi em 1997 que o GreNal me foi um bálsamo para tantas feridas. Estádio olímpico, Fabiano – o eterno cachaça – Inter 5, Grêmio 2. Acabou. Sinceramente, nem mesmo a festa da Libertadores, ou a do Mundial quase 10 anos depois, foram capazes de ofuscar aquela alegria. Foi como um condenado posto em liberdade depois de anos de uma cela solitária. No dia seguinte, obriguei a professora, gremista por sinal, a escrever com giz vermelho. Era a minha desforra, e pouco importa que aquele giz era muito mais rosa do que vermelho.
Nada ofuscará os 5 a 2. Uhh Fabiano.