Julho 14, 2008
Um dos critérios básicos de noticiabilidade no jornalismo é o do interesse público. É notícia o que é de interesse público. O problema maior é quando o jornalista confunde o interesse público com o simples interesse do público. Existem diversos fatos que chegam ao conhecimento dos jornalistas que podem ser interessantes ao público, sob o ponto de vista da curiosidade em torno de algo relacionado a uma pessoa pública. Porém, nem sempre o fato em si é de interesse público. Muitas vezes ele diz respeito a vida privada de um cidadão e em nada agrega à sociedade.
Caso exemplar dessa diferença aconteceu aqui mesmo no Rio Grande do Sul. No blog da rádio gaúcha, pertencente ao grupo RBS, na tarde de quinta-feira dia 10 de julho foi postado um texto com o seguinte título: Gravações registram até diálogos com amantes. O texto que se segue, contém transcrições de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante as investigações da operação Rodin. A operação Rodin investigou uma fraude de mais de R$ 40 milhões do detran gaúcho.
http://www.clicrbs.com.br/gaucha/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=2701.dwt§ion=Blog&blog=27&tipo=1&tp=&coldir=1&pg=2
Expor o conteúdo das gravações é algo de interesse da sociedade, desde que essas gravações ajudem a entender o caso e contribuam para descobrir os culpados e onde está o dinheiro desviado. Não é o caso da notícia da rádio gaúcha. No texto, está um diálogo entre um dos envolvidos, que não tem o nome citado, e duas de suas amantes. A transcrição, expõe somente a vida íntima do investigado e não contribui em nada à sociedade.
Pode ser engraçado, o público pode achar interessante, mas noticias como essa (se é que podemos chamar de notícia), não são de interesse público, apenas de interesse do público. O jornalista Luiz Antônio Magalhães no site do Observatório da Imprensa no texto “o drama de Casagrande e a imprensa marrom” de 01/04/2008 traz um importante paralelo entre o interesse público e o interesse do público. No texto, o autor cita o exemplo do caso entre Renan Calheiros e Mônica Veloso. Enquanto os dois eram amantes nenhum jornal noticiou o affair, por mais que isso fosse interessante para o público. O caso só virou notícia quando vieram a tona suspeitas de que Renan pagava as contas da amante e a pensão da filha com dinheiro de lobistas.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=479JDB004
Uma coisa tem que ficar clara. Desvio de verbas públicas é crime, e um crime contra todos nós contribuintes. Toda e qualquer gravação que seja importante no contexto de apurar os envolvidos e o destino do dinheiro deve ser divulgada. Porém, gravações da vida privada dos investigados não dizem respeito ao público. Podem ser interessantes e o público pode gostar de tais notícias, porém elas em nada agregam a sociedade e são uma agressão a ética profissional. Errou a rádio gaúcha por meio de seu blog, e o erro da rádio gaúcha logo foi repetido pela chamada blogsfera.
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Escrito por Alisson Coelho
Junho 5, 2008
Melhor diálogo de todos os tempos.
Flavio Vaz Netto: Eu estou indo para Esteio, e o Dr. Pratini deve estar com a governadora [do RS, Yeda Crusius].
Antônio Dorneu Maciel: Se tu puderes, pergunta para ela se a orientação é a do Delson [Martini, hoje secretário Geral de Governo]. Se tu tiver chance, depende do ambiente. Tu tem que ter jeito. Isso não é assunto para atropelar.
Flavio Vaz Netto: O cara nega essa incidência dele?
Antônio Dorneu Maciel: Ele disse que vai falar com ela. Ela vai dizer para ele. Mas ele já está aceitando, porque diz que ela é sem-vergonha mesmo. Ela faz assim, logra as pessoas, joga um contra os outros: ‘tá vendo? tá vendo?’”
Flavio Vaz Netto: É aquela história: se é guerra, é guerra, daí eu tenho que me preparar.
Antônio Dorneu Maciel: Eu disse pra ele que quem vai definir é ela. Mas é isso aí. Se tu tiveres chance boa [pergunta]: ‘Governadora, está dando um pequeno impasse lá. Sigo orientação do Delson?’
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Escrito por Alisson Coelho
Abril 29, 2008
Você é policial? então é investigar particular? Ao menos advogado criminal? Se você não é profissional de nenhuma dessas áreas não tem competencia para investigar crimes certo? Errado. Pelo menos é o que pensam os políticos brasileiros. A cada nova denuncia, ou investigação feita pela policia federal que envolva recursos públicos, o Poder Legislativo toma para si a responsabilidade de investigar as acusações. O instrumento utilizado é instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Acompanhando de perto o desenrolar da CPI do Detran na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul nota-se o evidente despreparo dos deputados para interrogar os indiciados. Pior, todos os chamados já prestaram depoimentos para a polícia e as perguntas formuladas são as mesmas. De que adianta perguntar o que já se sabe a resposta, apenas para preencer tempo?
A justiça, por sua vez, não contribui em nada com os membros da CPI. Todos os indiciados chegam ao 3° andar do palácio farroupilha para depor amparados por uma liminar que os reserva o direito de não responder questões que os possa incriminar. É dificil entender porque interrogar alguém que pode simplesmente ficar calado. Essa situação tem produzido um espetáculo de comédia pastelão. Os indiciados falam o que quer, debocham e menosprezam os deputados.
Exemplo da imperiosa demência que a assola a CPI, foi o “depoimento” de Ferdinando Fernandes, sócio da Pensant. A todas as perguntas o depoente em tom de voz sarcástico respondia: Excelêntissimo senhor deputado Fulano de Tal a resposta a todos os questionamentos serão dados ao Poder Judiciário. Mesmo assim, o deputado Adilson Troca (PSDB) fez 55 perguntas ao advogado.
A questão é que deputados não são investigadores. A maioria não tem o mínimo preparo para interrogar ou investigar o que quer que seja. Assim as CPIs se tornam apenas um joguete político. A oposição joga para chegar no governo e desestabiliza-lo. Os governistas, fazem de tudo para livrar pessoas ligadas ao governo. Nesse joguinho político, o que realmente interessa não vem a luz. Quem são os culpados? Onde foi parar o dinheiro público (nesse caso R$ 44 milhões)? O final da CPI todos já conhecem. Diversas implicações políticas, mas nenhuma conclusão concreta de onde foi para o nosso dinheiro.
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Escrito por Alisson Coelho
Dezembro 4, 2007
Depois de apanhar consideravelmente do computador, trabalhar todo o meu conhecimento (nulo) de informática, este blog está pronto, ou ao menos está “no ar”.
Fazer um blog hoje em dia não é novidade. A cada dia surgem milhões de novos blogs, da imensa maioria não se pode aproveitar nada.
Para alguns os blogs são o meio de comunicação mais democrático do mundo. Todos podem ter um blog, inclusive este que vos escreve, todos podem manifestar sua opinião a respeito dos assuntos abordados…
Porém, sempre há um porém, na minha mais do que humilde opinião os blogs não são assim tão democráticos quanto se fala. Em um blog pode-se escrever o que quiser, opiniar e defender as mais estapafúrdias idéias. Mas quem garante que você será ouvido?
Para mim democracia é quando você é efetivamente ouvido. Na maioria das vezes um blog como este, de um cidadão absolutamente anônimo, não é lido por quase ninguem. Posso falar o quero mas não sou ouvido! De que me adianta?
É claro que existem blogs que muitas pessoas lêem, mas essas pessoas que lêem e comentam são ouvidas? O blogueiro famoso não responde aos comentarios de seus leitores, com raras excessões.
Fica então a minha reflexão sobre os blogs.
A realidade é que sendo ouvido ou não falar é sempre bom. Por isso este é um blog de conversas, reflexões e debates sobre todos os assuntos.
Alguns assuntos se salientam pelas paixões que dispertam como política, futebol e religião. Esses serão os principais assuntos abordados.
Sejam bem vindos os que quiserem participar!!!
Álisson Coelho.
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Escrito por Alisson Coelho